quarta-feira, 8 de abril de 2015

Zumbis - fato ou ficção?

Moço, me dá um real aí...

Quem assistiu à última e foderosa temporada de The Walking Dead com certeza curtiu demais o Season Finale. Ação e tensão até o último segundo. Vou falar de uma cena, não propriamente um spoiler, adiante.

A série teve momentos antológicos, e, para mim, o momento da virada desta temporada foi aquele em que o próprio Rick diz que, para sobreviver, eles têm que fazer o que for preciso para sobreviver a este pesadelo, concluindo assim: "we tell ourselves that we are the walking dead".


Quem assistiu a série daí pra frente percebeu que o Rick vem seguindo com este pensamento, e a última cena do último episódio evidencia que sua cabeça está formatada para pensar que ele e seu grupo é que são os defuntos que caminham, e que, por causa disso, não há limites para a zoeyra sobrevivência.

A série é muito legal, e tal, mas peralá: saporra de zumbi é factível? Não estou falando de controle da mente, como hipnose ou algo do tipo, nem dos zumbis do crack das grandes cidades mas dos zumbis que vemos em séries de mortos-vivos.

Vejamos: o corpo humano, depois que morre, desenvolve o chamado rigor mortis, ficando num estado pétreo tão duro que fica difícil dobrar membros ou abrir mãos, por exemplo. Por quê? Por falta de circulação. Então, sem circulação, com o corpo frio, fica difícil a movimentação.

Não bastasse isso, a relação Giz x modo cérebro x corpo é feita por sinais elétricos (sinapses), e seu funcionamento depende também da circulação. Essa história de que apenas uma parte do cérebro funcionaria é balela, porque poderia até funcionar a parte do responsável pelo movimento (como aconteceu de verdade com  um frango que viveu sem cabeça por 18 meses), mas há muito mais do que isso.

Temos 5 sentidos básicos, e, tirando o tato, que ocupa todo o corpo, os outros 4 (olfato, paladar, audição e visão) estão na cabeça e dependem de grande quantidade de processamento para que funcionem harmoniosamente. É aí que entra o cérebro. Crianças demoram meses e até anos para poder desenvolver seu cérebro o suficiente para ter uma visão espacial adequada e se movimentar pelos ambientes, podendo medir adequadamente as distâncias. Um zumbi sequelado poderia ter esta visão, mas dificilmente sobraria processamento para poder usar outras partes do corpo.

Se nossa visão estereoscópica já demanda muito processamento, que dizer de nossa audição estereofônica? Perceber a direção de onde vem o som, e mensurar a distância são tarefas nobres, executadas por um cérebro saudável. 

E, ainda que tudo isso fosse possível, como concatenar audição, visão e movimento, para levar o zumbi até suas vítimas? Na boa, por mais que eu goste de TWD, esse negócio de zumbi é cientificamente impossível

Ainda bem, já que eu, assim como você, fico olhando torto para as portas corta-fogo do meu prédio toda vez que elas batem quando venta.


MRJ

Nenhum comentário:

Postar um comentário