segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Um maluco no Exército - ATUALIZADO

BG -Batalhão Gay, onde o Eric deu muito. Muito serviço, gente!
Num início de julho, numa manhã desgraçadamente gelada, estava eu a esperar o exame físico do Exército (o terror de todo cabeludo). Chego à Escola de Cadetes, onde é feita a seleção e fico lá, mofando e congelando num rancho com todos os outros pobres coitados.



Era a pior seleção que haviam visto: gente magrela que doía, gordinhos espinhentos, esquisitos e cabeludinhos. Eu me enquadrava entre os últimos.Claro que defecávamos só de pensar em termos as crinas aparadas por um panaca de uniforme que o faria por puro sadismo.

Nisso, todos repararam (impossível não fazê-lo!) numa biba saltitante, esvoaçante e rainha do deserto. Com o porte de um moribundo leucêmico na Somália, ela sambou até o banco bem à frente do sargento, onde, delicadamente, pousou a cauda. Até o gordinho espinhudo deu uma risadinha de canto de boca.

Pela descrição, era a Lacraia. Ctz!
Os mais aptos foram arrebanhados para o teste físico, e deixaram só a nata do fisiculturismo à deriva no rancho.

Tinha uns gordinhos por lá, também.
Após uma longa espera, nome a nome éramos chamados à enfermaria. Nosso grupo diminuía enquanto, exponencialmente, nosso cagaço em servir aumentava. Enfim: estávamos no corredor da morte. Todos alinhados e questionados se havia alguma mazela a ser declarada.

Eu prontamente disse: asma! Mais uns quatro me reproduziram, e todos fomos deixados de fora, como se fôssemos a escória do planeta.

Os passos corriqueiros dos exames se passavam dentro da enfermaria, enquanto apodrecíamos no banco, do lado de fora, sob o sol. Quando todos saíram, reparei que apenas a flor do campo fora mantida no recinto. Fiquei curioso, mas, como no Exército não se fala - se grita! -, escutávamos tudo o que lá se passava.

As ordens saíram em tom jocoso, quase coloquial:

_Baixe as calças, conscrito!

Ríamos por dentro, de alívio por não ser nenhum de nós por lá. Eis que uma segunda ordem foi disparada, e nos silenciamos, receosos:

_Senta aí na mesa para a gente contar!

Eu estava diante de algo que até então achava que era uma lenda urbana: o famoso teste da farinha. A mesa com farinha estava lá, era real!


Um soldado nos disse para pegarmos os documentos e que seríamos chamados depois. Não vimos a pequena libélula sair do recinto. E nunca mais se ouviu falar. Para meu alívio, fui dispensado semanas depois, e pude continuar com meu Bombril capilar.

Mas ficou a dúvida: será que ela pegou o Exército, ou o Exército é que a pegou?

Eric Mac Fadden

EDIT: PQP! Falando em teste da farinha, que tal comer um toba de chocolate ou eternizar seu próprio brioco em bronze, vidro ou outro material?

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