segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Preso num porta-malas no Salão do Automóvel

Reconstituição da polícia: não havia burro ou veado disponível.
A lenda de hoje é contada por nosso comparsa "Ao seu -F", uma figuraça de Curitiba. Se eu já achava que ele era DOIDO, agora tenho certeza de que é doido, sem-noção e tapado. Literalmente.

Bem, não era "O" Salão do Automóvel... O ano era 2001. Eu, minha esposa (namorada na época) e meu primo Fudêncio, além de um amigo dele que devia ser mudo, estávamos no Salão do Automóvel de Curitiba.

Fudêncio é o tipo do cara gozador. Tudo para ele é motivo para esporrear zoeira. Quando éramos pequenos, ficávamos olhando na janela da casa dele, que ficava no 2º andar, as pessoas passando embaixo da marquise em dia de chuva. Quando passavam com guarda-chuva aberto, a gente jogava um balde d'água. Teve um que até quebrou! 

Às vezes, também, a gente ficava jogando moedas sem valor atrás das pessoas só para vê-las voltarem para pegar...

Voltando ao Salão do Automóvel, estávamos vendo os carros, quando vi uma bela perua Peugeot 307 SW azul-clara. Era um carro recém-lançado, bonito pra dedéu! Fomos nos aproximando para ver, e, quando vi que o porta-malas estava aberto, meio sem pensar entrei e olhei bem nos olhos dele. Tipo um olhar desafiador, sabe? Não preciso nem dizer que ele fechou, né?

"Pensei comigo: que desperdício ficar preso sozinho nesta mala! Ah, se pelo menos o amigo do Tony estivesse aqui pra me consolar!"
Fiquei ali, sorrindo para o público uns 30 segundos. Até que o Fudêncio resolveu abrir. Mas... Não abria. De jeito nenhum. Necas. Ele chamou a mocinha para abrir, e Nadja nada. Aperta daqui, puxa dali, e nada. Nadinha. Minha futura  esposa começou a se afastar... E eu a suar.

Comecei a ficar com cara de bunda. Cinco minutos, e nada. O gerente veio, e nada. E eu ali. E a multidão começou a crescer. 

Quando eu vi o bando de abutres, ávidos pela minha carcaça, deitei e fechei a tampa retrátil do porta-malas, aquela que fecha por cima da bagagem.

Cara, que calor! Fiquei ali, ouvindo o que se passava, tentando uma saída para a enrascada. Passaram-se uns 10 minutos, e o medo de ter que pular o banco só crescia. Já estava imaginando o mico. Até que a mocinha entrou pela porta e me chamou: "Viu, você vai ter que pular o banco. O carro está sem bateria." 

PQP! Só pra minha cara. Mas tudo bem. Cara-de-pau sempre foi comigo mesmo... Sem outra solução, tirei os sapatos para não sujar o estofamento e pulei. Sentei com os pés para fora, pus os sapatos e levantei, com os braços levantados em sinal de vitória, para delírio da multidão.

Bem, passado esse sufoco, veio outro: achar minha namorada...








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