quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Malandragem, roubo e pirataria

Bezerra da Silva imortalizou o mote: "malandro é malandro e mané é mané/podes crer que é"

Não é novidade o fato de nós, brasileiros, sermos internacionalmente mal vistos, principalmente por causa de um termo que só existe em Português: malandragem. E o brasileiro só tenta usar de malandragem lá fora porque pratica muito aqui mesmo, com seus conterrâneos.

Ainda agora, estava almoçando com um colega, na praça de alimentação de um shopping. Comemos no Burger King. Meu colega acabou antes e foi ao Banco, enquanto eu fiquei lá, navegando no celular e acabando de matar as batatas fritas.

Nisso, chega por trás de mim um jovem, apontando para o copo vazio do meu colega e perguntando se eu o estava usando. Respondi que não, enquanto amassava o copo todo bem diante dele. Ele deu um risinho, dizendo "haha, obrigado".

Não é a primeira vez que tentam usar essa malandragem comigo. Estamos em período de férias escolares, mas, nas épocas de aula, é muito comum ver estudantes (principalmente, mas não só!) de escolas públicas pegando copos usados do BK de cima das mesas da praça de alimentação para enchê-los e beber refrigerante de graça, já que o BK tem o esquema de free refill.

Quando não há copos, eles pedem os nossos copos vazios. Eu sempre amasso na cara do moleque, e, de vez em quando, passo um sermão. E é um sermão malcriado, vocês me conhecem!

Aí me lembrei das tretas discordâncias históricas que tive com o Pedro Burgos sobre a questão da pirataria. Em resumo: eu defendo o livre download; ele, ao contrário, acha que fazer download sem pagar por isto é pirataria, e, portanto, roubo.

Na minha cabeça, fica bastante claro que, se o moleque bebe refrigerante "digrátis" no Burger King com um copo fornecido por mim, haverá implicações que não se aplicam ao download. Por exemplo: 

  • ao contrário dos downloads, que podem ser feitos infinitas vezes sem comprometer a fonte, o refrigerante tem um estoque limitado. Então, se muita gente bebe sem pagar, o refrigerante simplesmente acaba, prejudicando a lanchonete, que leva prejuízo, e, também, os clientes, que, mesmo pagando pelo combo, ficam sem poder beber;

  • o prejuízo à lanchonete é efetivo, afinal, ela pagou pelo refrigerante. O download não causa prejuízo, mas uma perda de receita, que é diferente. Os gastos efetivos de produção, pós-produção, frete, etc, já estão embutidos no cálculo do preço final, que já prevê um mínimo de vendas para retorno efetivo;

  • sim, eu sei que nem tudo é tão preto no branco como isto. Por exemplo, os contratos com artistas e até com ~modelos~ que posam para revistas de mulher pelada costumam conter uma cláusula que lhes dá uma porcentagem sobre o número de vendas; mas

  • nem todo mundo que faz download compraria o CD, DVD, Blu-Ray, revista etc, mas todo mundo que compra um combo com refrigerante quer, necessariamente beber refrigerante. E, conforme já extensamente debatido pelas interwebs afora, a pirataria acaba expondo mais o artista, tornando-o conhecido do público.

E vocês, meus caros leitores? Concordam, discordam ou muito pelo contrário?

MRJ

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