quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Galinha gorda com suco de manga

Pague para comer, reze quando sair.
A nossa história de hoje é trazida pelo nosso comentarista e colaborador @macacolinga. ATENÇÃO: é TOTALMENTE NSFW, porque você VAI rir alto. Vocês foram avisados.

Caganeira. Taí uma palavra que assusta qualquer um, principalmente quando ocorre em situações propícias ao vexame, tais como locais públicos, engarrafamentos ou enquanto se profere alguma aula ou palestra.

Algumas vezes, até que dá para se furtar ao furor balístico de uma boa caganeira, mas existem aquelas situações sem saída, onde seu único consolo será que, no final, terá uma boa história para contar, como essa que vos segue.

No Nordeste, as linhas de ônibus interurbanos fervilham, levando pessoas entre cidades. Alguns são conhecidos pelo carinhoso apelido de pinga-pinga, por ficarem parando (pingando) de poste em poste, cada vez que um novo pagante solicita sua atenção.

Embarquei num desses aí para percorrer um trajeto de cerca de 200km entre duas cidades no interior do Nordeste. Na época, voltava de uma viagem com a família da minha noiva (hoje, esposa). Ia conhecer seus parentes. O ônibus sairia da cidade onde estávamos as 6h da manhã em busca do seu destino. Tudo corria bem até às 5h55min, quando apertou a vontade de ir ao banheiro. Céu negro: não daria tempo. Tive que escolher entre o banheiro e o ônibus... Aclamei o último como vencedor.

Poderia usar o recinto que fica lá na "cozinha" do ônibus (aquele espaço amaldiçoado lá no final que ninguém quer ter por vizinho). Subi no veículo já traçando a rota para a "cozinha", onde eu iria servir uma kafta gigante.

Adoraria ser recepcionado por um banheiro branco e limpo como a neve...


Sabia que não podia esperar muita coisa...


Mas nada se comparava ao que (não) havia por lá!

Surprise, motherfucker![MRJ: isto é um link. Cliquem!]
Aquilo era impossível!!! Como?! Roguei uma praga no engenheiro que projetara aquilo. Violação clara aos direitos humanos. Escolhi um lugar no corredor para poder sair na primeira parada com banheiro que aparecesse. Não deveria durar muito para chegar lá. Pura ilusão. Medi: do instante em que entrei no ônibus até a maldita parada para cagar decorreu uma hora e sete minutos.

Poste a poste, o ônibus parava. Uns desciam, outros subiam. Muitos idosos. As vísceras brigavam, freneticamente tentando se livrar da imundície que buscava a luz. Eu tinha que engolir tudo de volta a cada tentativa de fuga. Considerei várias possibilidades: corredor, janela, saco plástico. Pensei até em pedir para o motorista parar para mim. Mas aí seria o escárnio público. Desisti: em pranto, meditei por uma hora e sete minutos fazendo jogo de cintura enquanto minha esposa e sua família se mijavam de rir de mim.

Finalmente, a liberdade...


Logo que o motorista parou, desci correndo por cima de todos e ataquei o banheiro masculino. Por Deus, ninguém estava usando o "bojo", de sorte que baixei a bermuda e ejaculei merda como em nenhum outro dia em meus 40 anos de existência. Só depois que comecei o serviço foi que prestei melhor atenção ao banheiro. Era um recinto de 2m x 1.5 desprovido de divisórias, um coxo de concreto para urinar e um sanitário em diagonal para sólidos ou semi-sólidos.

Juro, pela honra dos colegas desse fórum [MRJ: sigam o link!], que não dei a mínima para aquele layout do banheiro. Só queria era me desafogar.

Tudo ia bem, até que entrou um sujeito para urinar. Não pensem que a coisa ficou ruim para mim. Ficou ruim para ele. Cada vez que ele tentava começar a fazer xixi, eu soltava um peido daqueles que vem com botão, casca de fruta e resto de sopa. A cada peido, o camarada segurava a mijada. Esse sujeito saiu e entrou no banheiro duas vezes para tentar mijar e eu não deixei. Rá! Havia trolado alguém! Mas também fui trolado - Não havia papel higiênico. Sacrifiquei uma meia lupo. Tudo estava consumado.

Saindo do banheiro, fui recepcionado pela minha noiva e sua mãe, se mijando de rir e apontando para meu tênis. Faltava algo entre o tênis e o pé do lado esquerdo. Entendi logo, mas precisei sacrificar também a outra meia para limpar o resto do que ainda tinha para sair.

Voltei ao banheiro, caguei o resto e seguimos viagem.

Perto de chegar no destino, um dos pneus dianteiros do ônibus estourou. Ficamos sobre duas rodas laterais. Tirando aquela do Hitler que postaram no Trollcnologia, foi a vez que mais ri em minha vida. Ri pelo fato de ter a morte catucando meu oiti naquele momento mas não ligar porque estava quase desfalecido pela energia que perdi para liberar a diarreia.

Depois de uma hora para trocar o pneu, seguimos viagem e chegamos, sãos e salvos, ao nosso destino. A notícia se espalhou na família. Nunca me senti tão sacaneado.

Lição que aprendi nessa viagem: nunca comam galinha gorda com suco de manga na sexta à noite. Os efeitos podem ser devastadores.

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