sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Atrapalhando o amor no elevador


Dia tenso no trabalho. Pressão de todos os lados. Calor no Rio de Janeiro, mesmo sem ser verão. Finalmente, hora do almoço! Pego o elevador e vou almoçar. O plano é comer relativamente rápido pra dar tempo de dar uma voltinha pelo Centro, olhar as modas, ver as novidades dos camelôs, entrar nas livrarias e, enfim, esquecer um pouco do trabalho.

Brasileiro, quando vai a restaurante a quilo e está com pressa, bota logo arroz e feijão, e depois pensa no que vai comer junto com eles (em SP, o que não é arroz e feijão, o povo chama de "mistura").

Carreguei no feijão, fiz o resto do prato, comi tudo em 10 minutos e me pus a andar. Dali a meia hora, o feijão começou a fazer efeito. Uma frente quente padrão El Niño se formava no quadrante sul do meu ventre, com ventos de até 300Km/h, forçando passagem.

Como eu estava na rua, em plena Av. Rio Branco, com trânsito caótico e muito barulho, fiz a festa. Ventei tudo o que podia, na maior alegria. Quando vi, estava na hora de voltar para o trabalho.

Já dentro do prédio, havia uma fila para os elevadores, e o desconforto começou a vir. Na minha frente, dois jovens homossexuais (publicitários?) conversavam animadamente e de vez em quando olhavam para mim. E eu querendo peidar.

O elevador chegou. Entrei, junto com os dois rapazes e mais uma senhora. Fiquei no fundo do elevador, rezando para chegar logo ao 30º andar. Lá pelas tantas, a senhora desceu, e ficamos só nós  três. Os dois, se vendo sozinhos comigo, cochicharam, riram, e, bem ali, na minha frente...começaram a se beijar e se pegar.

Não tive dúvida: peidei. Peidei silenciosamente um peido quente, daqueles que nem quem solta aguenta. Segurei a respiração, mas, mesmo assim, acho que fui o primeiro a sofrer. Não sei se meus olhos lacrimejavam mais por causa do cheiro de urubu morto ou porque eu estava segurando o riso, só esperando a reação.



De repente, acabou beijo e amasso, e um deles vira pra mim e manda: "PQP, O que é isso? Que nojo! Você é um porco!, não respeita ninguém, não?"

Segurando o riso, na maior cara cínica, eu respondo: por quê? Só porque fiquei excitado vendo vocês dois se beijando? Fiquei todo molhadinho!

Meu andar chegou e eu saí do elevador diante de dois dos olhares de desprezo mais fortes que já ganhei na vida, enquanto os dois me xingavam ao mesmo tempo em que balançavam uns papeis tentando espalhar a nuvem tóxica.

MRJ

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