terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Academerda de polícia

Bons tempos em que era só loucademia

Ano novo, merdas velhas. A cada ano novo que passamos, mais pessoas vão para a beira das praias pular ondas, comer lentilhas, fazer macumba etc, pedindo e desejando amor, prosperidade, união, a paz mundial e outras coisas bonitas que só voltam a ser mencionadas em concursos de miss ou na abertura do desenho das Meninas Superpoderosas. Mas, entra ano, sai ano, nada muda. Para ajudar o Brasil e o mundo a mudar este quadro, vou dar a solução neste post.

É mutcha simpla: se vocês querem paz, ao invés de fazerem macumba, reza brava, mentalização e outras coisas de igual quilate, façam um acordo com os bandidos e com a polícia! Isso mesmo: uma reunião com os líderes dos sindicatos do crime e das polícias vai fazer com que a paz seja possível.


Digam a eles que a meta do próximo ano é paz e felicidade, e que, por isso, eles vão ter que parar de matar, roubar, estuprar, etc.

Bom, talvez algum dia falemos sobre os ladrões, traficantes e afins. Hoje, infelizmente, temos de falar sobre a polícia. Vocês devem estar acompanhando as notícias sobre a abordagem escrota, inábil e descabida da polícia carioca que resultou na morte da jovem Haíssa. Se não, segue o vídeo da perseguição:

Super-ultra-mega-power facepalm carpado para esta cagada

Tem muita coisa que eu poderia falar sobre a minha revolta ao ver estas imagens, mas o que mais me chocou foi uma fala que começa aos 0:39, quando o policial (???) informa pelo rádio que está atrás de "um carro daquele branco, HB20", e que dentro dele há "quatro cabeças, moleque de boné e tudo...".

QUE PORRA É ESSA? Então, agora, usar boné é pré-requisito para virar alvo de tiros de fuzil? Sério, assistam o vídeo e vejam se os geniais policiais apresentam qualquer outro argumento bastante a fundamentar suas suspeitas sobre o veículo perseguido.

Peraí...eles estavam perseguindo um Sandero preto e, ao verem que os moleques estavam "de boné e tudo", concluíram (???) que haviam trocado de carro para um HB20 branco? Ou resolveram que os meliantes do Sandero preto haviam, na linguagem policial, "logrado se evadir" e decidiram aproveitar a presença de "moleques de boné e tudo" para não voltar de mãos vazias?

De novo: eu poderia falar muita coisa. Poderia falar da minha raiva ao ver servidores públicos fazendo uma merda dessas em via pública sem nenhuma razão, do meu ódio ao ver se repetir a cagada que aconteceu anos atrás com o menino João Roberto, ou ao lembrar que, há exatamente um ano atrás, outros policiais da PMERJ fizeram uma merda igualzinha a esta. 

Eu poderia relembrar o caso dos menores levados para serem executados dentro de uma viatura policial e até contar casos próprios, como a vez em que o policial me parou numa blitz na Av. Brasil apontando uma pistola, só porque, na época, há uns 10 anos, eu tinha um Santana 89 quadradinho preto (porra, PM, entenda de uma vez que bandido rouba carro novo, e não anda de carro velho!!!!).

Eu poderia falar que a truculência da polícia não decorre do simples despreparo, como as autoridades querem nos fazer crer, mas, isto sim, da simples falta de amor ao próximo, da falta de noção de que seu fuzil está apontado para alguém que tem uma família.

Eu poderia também lembrar que esta truculência é histórica, e já está de tal forma entranhada na nossa cultura que já foi abordada por Chico Buarque, Titãs, Capital Inicial (letra de Renato Russo, outro revoltado com a polícia - se liga na "abordagem policial" da abertura desta música), Ratos de Porão, Planet Hemp (letras recorrentes do revoltado Marcelo D2) e muito mais.

Eu poderia - aliás, eu deveria! - falar dos inúmeros casos de policiais sendo assassinados por todo o Brasil, e os protestos e  revolta que estas mortes geram. Eu poderia falar que existem muitos bons policiais que acabam sofrendo com os respingos das merdas dos outros. Eu poderia falar que acredito fielmente que a maioria dos policiais assassinados fazem parte exatamente dos bons policiais (até porque vaso ruim é que não quebra), e que os policiais assassinados também são pais, mães, filhos, irmãos, maridos, esposas, etc de alguém, e que deixam família para trás.

Eu poderia até falar que os próprios filhos dos policiais assassinados poderiam, revoltados, usar bonés e dirigir em alta velocidade à noite por aí e correr o risco de serem mortos por outros policiais, num sistema retroalimentado de violência escrota e gratuita.

Mas escolhi não falar nada disso e deixar vocês falarem aí nos comentários.

MRJ

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